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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

"Atacar de autodidata" - leitura: extensive reading

A leitura "por esporte" em inglês é a melhor coisa que você pode fazer por você mesmo,
para avançar seu inglês estudando sozinho.

A habilidade de reading é a mais fácil de se obter sem a ajuda de um professor, assumindo que não haja problemas específicos com essa habilidade, como dislexia etc. Nesse caso a atuação de um professor preparado pode ser valiosíssima.

Para responder à questão das duas pessoas que me escreveram, eu gostaria de falar sobre leitura para fins acadêmicos. A leitura de entretenimento pode ser radicalmente diferente da leitura acadêmica. A diferença entre essas experiências de leitura se deve a duas variáveis: o tipo de texto e a finalidade da leitura.

O formalismo e a tecnicidade do texto acadêmico tornam a tarefa de leitura mais árdua, embora contribuam pra elementos importantes da ciência que o texto produz: exatidão e impessoalidade. Além disso, a informação que encontramos no texto acadêmico deve ser retida, assim a leitura tem que ser bem mais atenta, para perceber a linha de argumentação do autor, e a interferência de pausas (para anotação, reflexão etc.) e retomadas (voltar atrás no texto) é muito maior na leitura de estudo que na leitura de entretenimento. Finalmente, nem sempre o cientista que escreveu o texto é um bom escritor, o que dificulta as coisas pra todo mundo.

Ter em mente as dificuldades específicas da leitura acadêmica no momento que você se prepara para fazê-la em língua estrangeira é importante para evitar frustrações extremas, que podem resultar em desistência da tarefa. Estudar não é fácil e aprender língua estrangeira não é fácil: é preciso persistência para fazer os dois juntos. Considere, no entanto, que a língua franca universal é cada vez mais o inglês, e a produção científica cada vez mais produzida para uma comunidade global de pesquisadores. Não há, portanto, escapatória: se você quer ser um pesquisador sério, você vai ter que aprender a ler em inglês.

Existem duas abordagens de leitura que você deve considerar quando estiver trabalhando sozinho no seu reading: intensive reading e extensive reading.

Extensive Reading
Extensive reading é uma atividade que serve para botar “quilometragem” de leitura “under your belt”. Nela você vai trabalhar as estratégias gerais de leitura aplicadas à língua estrangeira escolhida, no nosso caso, inglês, e expor-se à língua por várias horas, de modo a se familiarizar com estruturas gramaticais, colocações idiomáticas, vocabulário etc.

Uma observação a respeito do seu nível de inglês torna-se necessária. Não importa realmente o seu nível de proficiência na língua: o hábito de leitura extensiva sempre vai ajudar. Mas é preciso adequar o texto a ser lido ao nível que o estudante é capaz de compreender.

  • Se seu inglês ainda é iniciante, grandes editoras e centros de pesquisa em ensino de inglês como língua estrangeira bolaram um tipo de livro chamado graded readers. Estes são livros adaptados a cada nível de aprendizado em inglês, com uma variedade menor de palavras no vocabulário e outros tipos de adaptação. Se seu inglês ainda não dá pra leitura técnica, este é um bom lugar pra começar.
  • Se seu nível já está mais avançadinho, mas a leitura técnica ainda está pedreira, fazer a extensive reading como um estudante de general English, i.e., usando literatura de entretenimento e arte, é uma boa opção. Talvez já seja o momento de ler os livros originais? (Só cuidado, especialmente aos amantes de literatura-arte, com os modernistas. William Faulkner pode fazer você querer arrancar os cabelos. Paul Auster, Jane Austen, Stephen King e as séries de fantasia como Harry Potter e The Lord of the Rings são todos boas pedidas, só vai depender do seu gosto. Experimente também On the Road e The Catcher in the Rye, dois dos meus clássicos americanos preferidos.)
  • Já se seu nível de inglês já está melhorzinho e a pressão pra ter uma boa performance em inglês acadêmico está mais forte, é uma boa ideia fazer a extensive reading o mais próximo possível da sua área de atuação. Você pode escolher livros da sua área que você não precise absorver para exames (as primeiras leituras em inglês podem ser demoradas e isso vai afetar a sua nota). Uma ótima estratégia é escolher um livro que você já conheça e ler a versão em inglês (o texto original de Getting to Yes, por exemplo, ou uma tradução inglesa de Freud). Procure optar por livros mais curtos, pequenos ensaios, do que grandes tratados, pra garantir alguma variedade na leitura ao longo do tempo. Você pode optar por fazer a extensive reading diretamente nos papers publicados recentemente nas revistas acadêmicas especializadas que você está acostumado a consultar.

Se ficção não faz a sua cabeça, e não faz a cabeça de muita gente, você pode ler qualquer coisa que chame sua atenção, desde que proporcione várias horas de leitura. Sugestões são as revistas The Economist e a Newsweek, livros de autoajuda, que você encontra aos montes na Amazon.com (a americana), livros de divulgação científica, de História, de Filosofia, o que for. Mas para aprender a ler, tem que ler e tem que ler bastante. Por isso é importante que você encontre um negócio que você curta ler.

A extensive reading deve seguir algumas regras. Em primeiro lugar, a leitura deve ser o mais fluida possível. Não pare para fazer anotações (também por isso não é bom aproveitar pra matar dois coelhos e usar os textos que você precisa estudar pra prova). Também não leia com o dicionário no colo. É importante dar mais atenção para o contexto que para cada palavrinha que você não compreender. Especialmente em inglês, que tem tanto vocabulário! Procure ignorar as palavras que você não conhece e ver se consegue apreender o significado do texto mesmo assim.

Eu costumo dizer aos meus alunos que existem apenas dois bons motivos para procurar uma palavra no dicionário: ou ela é uma palavra-chave no texto e sem ela você não tem como entender a passagem, ou você está curioso a respeito dela (ela tem “uma carinha” engraçada, ou você já viu ela antes etc.).

É importante ler de verdade, como se a língua estrangeira não fosse um empecilho, mas mais um meio de comunicação do qual você está aos poucos se apropriando. Tenha paciência e tente se divertir.

“Atacar de autodidata” --- Introdução
A leitura: extensive reading
A escrita

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

"Atacar de autodidata" - introdução

Quando não há professores por perto, é preciso aprender a se virar sozinho um pouco.

Essa semana que passou eu recebi duas mensagens com perguntas super parecidas, uma da minha prima e outra de um leitor do meu blog. Os dois queriam dicas a respeito de como estudar sozinho em casa para melhorar o inglês para a vida acadêmica.

A vida acadêmica resume-se principalmente a ler e escrever. As pesquisas são relatadas por escrito. Os estudiosos das ciências humanas trabalham quase que unicamente sobre textos. O estudo é um ciclo de análise, pela leitura, e síntese, pela escrita. Por isso eu vou falar um pouco de como o desenvolvimento dessas duas habilidades pode funcionar sem a ajuda de um professor.

Eu vou tentar responder as perguntas da Natália e do Wesley da melhor forma que eu puder. Se esta for também a sua dúvida, já #ficadica ;)

 "Atacar de autodidata" pode não ser eficaz pra um monte de gente, que simplesmente precisa da orientação de um professor. Mas pra um monte de outras pessoas, pode ser não só uma boa ideia, mas um momento importante do aprendizado, de reflexão mais longa sobre a língua.

Se o autodidata absorve um conteúdo menor que um estudante com orientação de professor? Eu diria que sim, mas há ressalvas importantes aqui. Primeiro, o professor tem um planejamento eficiente e sabe a progressão ótima do conteúdo de forma que cobre mais chão no mesmo tempo que o estudante autodidata leva pra aprender uma quantidade menor de conteúdo. Segundo, algumas habilidades que exigem feedback pra aperfeiçoar, como speaking ou pronúncia, podem sofrer com a ausência de um professor. 

Em contrapartida, as habilidades que exigem mais tempo pra se desenvolver têm no estudo autodidata uma oportunidade excelente. A leitura e, em alguma medida, a escrita podem ser praticadas sem interferências nesse período, levando a um salto de qualidade importante.

É importante anotar aqui que nem todas as abordagens são úteis para todas as pessoas. Se você sente que não dá conta de estudar inglês como autodidata, não se preocupe e procure orientação de um professor. Eu estou pensando nas minhas próprias dificuldades com matemática e educação física, e pensando nas maravilhas que orientação profissional de qualidade fez na segunda (eu não tive oportunidade de aperfeiçoar a primeira).

No entanto, se no momento você não tem como procurar um professor --- ou porque não cabe no orçamento, ou na agenda, ou porque você não achou um professor bacana, por exemplo, me escreveu e eu não tive horário para assumir suas aulas (acontece) --- experimente estudar como autodidata. Você pode se surpreender com suas próprias habilidades.

A resposta que eu preparei para a Natália e o Wesley ficou muito mesmo um pouco longa, por isso eu a transformei em uma série de posts e não em um só. Porque eu conheço um pouco o padrão de leitura online e sei que um post imenso não vai ser lido, e portanto não vai ser útil para ninguém. Eis a estrutura da série:

“Atacar de autodidata” --- Introdução
A leitura: extensive reading
A leitura: intensive reading
A escrita