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segunda-feira, 20 de abril de 2015

"Atacar de autodidata" - escrita

Pensando bem, escrever em inglês não é tão difícil assim.

Ler é a atividade primária da vida acadêmica, mas passar a vida absorvendo informação não é muito útil para a sociedade. Para avançar o conhecimento científico, o pesquisador precisa escrever. E esta não é uma tarefa das mais fáceis. Como habilidade de língua estrangeira, também exige dedicação, tempo e paciência para desenvolver.

Tentar dominar o writing completamente como autodidata não é ideal. A escrita exige algum feedback. Afinal, como você vai poder se corrigir se não souber que errou? Por outro lado a escrita exige também, digamos, quilometragem. O exercício de construir as frases, de executar a coesão e a coerência do texto, mesmo que com erros, é importante para o desenvolvimento dessa habilidade tão difícil de obter. Por mais importante que seja o feedback na redação, a execução dos textos é ainda a parte mais importante dessa equação. Escrever mais é o segredo para escrever melhor. Aqui, quantidade (experiência) importa.

Na minha experiência, o conhecimento linguístico que se adquire no estudo de uma língua, seja ela uma estrangeira ou a materna, ajuda com a performance na(s) outra(s). Eu não quero dizer, por isto, que quem escreve em português não vai sentir dificuldade em escrever em inglês. Mas quem já tem o hábito de escrever em português tem problemas a menos pra resolver no momento que precisa criar um texto em língua estrangeira. Em contrapartida, se sua redação é ruim de verdade (o que não é motivo nenhum pra ter vergonha, escrever é um negócio muito difícil), a oportunidade que se oferece no momento de estudar o writing em inglês pode ser de grande ajuda na observação de detalhes técnicos da escrita sobre os quais você simplesmente nunca pensou em português.

O fato de que você precisa pensar ativamente sobre a maneira de conectar as orações (com o uso de pronomes e outros bichos) na língua estrangeira, coisa a que você nunca teve que dar muita atenção na língua materna, pode ser útil quando você for realizar a mesma tarefa em português. O mesmo sobre a pesquisa e a descoberta das linking words, ou conjunções, que em português pode parecer a coisa mais chata do mundo e em língua estrangeira se mostra a coisa mais indispensável. E com isto o estudante está iniciado na reflexão sobre coesão e coerência, que tanto professor de Português sofre para ensinar em sala de aula.

O tipo de texto que você tem que aprender a escrever importa. Uma mensagem --- como um email, um whatsapp ou um post num fórum --- é diferente de um artigo, que é diferente de um relatório, que é diferente de uma petição. Então, assim como é importante obter “quilometragem” em geral na escrita, é importante obtê-la no tipo específico de texto que você deve produzir. Foge do escopo deste post discutir os aspectos específicos de cada tipo de texto, mas você deve considerá-los enquanto se aperfeiçoa em cada tipo que tem que produzir.

Não se engane, escrever é uma atividade técnica, e como tal pode ser aprendida. Não se trata (inteiramente) de talento, mas de prática.

Pessoalmente, o meu writing foi revolucionado quando eu comecei a participar de um fórum gringo na Internet. O assunto do fórum aqui é irrelevante, arte, estilo de vida, tanto faz. A quantidade de texto em inglês que eu acabei produzindo lá é que foi crucial. Depois disso, polir meu estilo para poder usá-lo, por exemplo, como propaganda das minhas aulas de inglês, ou refletir sobre o uso formalíssimo da linguagem acadêmica foi mais fácil. Uma vez que se domina o básico, as variações são mais fáceis de aprender.

Então, escreva. Escreva muito. Escreva um blog, um diário, cartas. Escreva as coisas que você pensar, pequenos artigos ou histórias. E escreva em inglês. Comece me escrevendo uma mensagem me dizendo o que você achou desse post!

E lembre-se do segundo passo imprescindível do processo de aquisição da habilidade de escrita: reler o que você escreveu. Como processo de aprendizado, perfeccionismo é aceitável. Leia duas vezes logo depois que você escrever. Revisite o texto semanas mais tarde, ou meses mais tarde. Reescreva o que estiver ruim. Refaça a coisa toda. Mas escrever e esquecer do texto não avança o processo. Na falta de feedback de um professor, você precisa repensar a sua própria produção.

Espero, com essa série de posts sobre o estudo autodidata, ter ajudado um pouco, ou pelo menos encorajado, as pessoas que têm vontade de estudar mais inglês e que, por qualquer motivo, não o estejam fazendo em sala de aula. O importante é estar se aprimorando sempre, e sempre descobrindo novas maneiras de aprender, sozinho ou em parcerias.

“Atacar de autodidata” --- Introdução
A escrita